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OMS adota estratégia “Uma Só Resposta” contra surto de ebola na RD Congo


Da redação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle de Doenças da África (África CDC) informaram nesta terça-feira, 5, que o aumento dos casos diagnosticados de ebola na República Democrática do Congo está ligado à ampliação da testagem e do rastreio de contatos, principalmente na província de Ituri, onde 94% dos casos estão concentrados.

Segundo Abdirahman Mahamud, diretor de Operações de Alerta e Resposta a Emergências de Saúde da OMS, até segunda-feira foram confirmados 550 casos e 101 mortes. Apesar dos desafios logísticos no vasto território, as ações de aproximação da resposta científica ao epicentro do surto começam a produzir resultados efetivos, com 19 pacientes recuperados registrados.

As autoridades do Congo adotam uma resposta unificada sob o princípio de “Uma Só Resposta” para conter a transmissão do vírus. Mais de 100 profissionais especializados foram mobilizados, entre epidemiologistas, especialistas clínicos e pesquisadores de vacinas, além do envio de 40 toneladas de equipamentos e suprimentos médicos essenciais para garantir a segurança dos profissionais e o funcionamento dos hospitais.

A descentralização dos testes é vista como um dos principais avanços. A OMS instalou laboratórios de campanha em áreas afetadas, permitindo que todos os casos suspeitos sejam processados em até 24 horas. A operação utiliza um sistema integrado de dados para acompanhar amostras desde a coleta até o isolamento e tratamento, superando barreiras tecnológicas locais.

Cerca de 5.040 contatos já foram identificados e monitorados nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, alcançando taxa de rastreio entre 62% e 64,4%. Mahamud destacou que “o sucesso das operações depende inteiramente da confiança comunitária e da atuação conjunta com agentes locais para identificação e encaminhamento seguro dos casos”.

No Uganda, país vizinho, há 19 casos confirmados e duas mortes, sem sinais de transmissão comunitária. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, esteve no local, defendendo o reforço internacional ao plano de US$ 518 milhões para fortalecer laboratórios regionais e evitar a propagação do vírus para outros países, como o Quênia.