Da redação
Duas semanas após o surgimento dos primeiros casos, República Democrática do Congo e Uganda registram 263 casos confirmados de ebola e 43 mortes. O surto, iniciado em Ituri, leste da RD Congo, está sendo monitorado por autoridades locais desde o início de maio devido ao potencial de transmissão acelerada.
Especialistas explicam que os sintomas iniciais da doença, como febre alta, dores musculares e de cabeça, podem ser confundidos com malária, mas já permitem o contágio. A Organização Mundial da Saúde alerta para a importância de cuidados nos primeiros sinais e reforça que familiares e cuidadores correm risco de infecção.
A OMS afirma que o controle do surto depende do engajamento comunitário. Campanhas nos dois países orientam os moradores a reconhecer sintomas e buscar atendimento rapidamente. Segundo Anaïs Legand, da OMS, cuidar de doentes em casa pode aumentar a exposição ao vírus, devido à facilidade de transmissão em contato próximo.
O Hospital Geral de Referência de Rwampara, na província de Ituri, está no centro da resposta. Na região, 1,2 milhão de pessoas precisam de assistência humanitária por conflitos locais, o que dificulta intervenções de saúde. Agências da ONU e forças de paz da Monusco apoiam o combate à doença com envio de suprimentos e equipes especializadas.
Até o momento, cinco profissionais de saúde infectados receberam alta após tratamento. Conforme a OMS, a tendência é de aumento nas recuperações, especialmente com diagnósticos precoces. O diretor regional da OMS para a África confirmou, nesta segunda-feira, o envio de novos suprimentos à cidade de Bunia para reforçar o enfrentamento.
A variante Bundibugyo do ebola, predominante no atual surto, possui letalidade entre 30% e 50%. Não há vacina licenciada nem tratamento específico para esta cepa. Por isso, autoridades locais, a OMS e parceiros intensificam testes rápidos, rastreamento de contatos, isolamento e promovem o início dos ensaios clínicos de vacinas e novos tratamentos.







