Da redação
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou durante o lançamento do Relatório de Progresso sobre as 23 metas globais do acordo de Kunming-Montreal que existe uma grande diferença entre promessas e ações para conter a perda de biodiversidade. A divulgação ocorreu em Yerevan, capital da Armênia. Conforme Guterres, quase 90% dos 196 países signatários já estabeleceram metas nacionais de proteção, mas “menos da metade dessas metas estão sendo devidamente executadas”.
O secretário-geral também alertou que, mesmo com o cumprimento dos compromissos nacionais atuais, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos marinhos estariam protegidos até 2030. Guterres destacou, em conversa com jornalistas, que subsistem falhas especialmente nas metas relacionadas aos sistemas econômicos, inclusive na redução de incentivos a atividades prejudiciais à natureza. Ele pediu mais coordenação para enfrentar todos os fatores que impulsionam a perda de biodiversidade.
Entre as ações prioritárias, Guterres citou mudanças no uso da terra, intensificação da ação climática, contenção de espécies invasoras, combate à poluição e controle da exploração direta de recursos naturais. O dirigente das Nações Unidas defendeu fortalecimento da responsabilização, aplicação das normas e da cooperação internacional. O relatório mencionou ainda exemplos de boas práticas em diferentes países, incluindo o Brasil e Moçambique.
No Brasil, o destaque foi para o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, que busca restaurar 12 milhões de hectares nos principais biomas até 2030, utilizando conhecimentos tradicionais e práticas das comunidades indígenas. Em Moçambique, o reconhecimento se deu por identificar 29 Áreas-Chave para a Biodiversidade, estabelecendo referências para planejamento do uso da terra e desenvolvimento.




