Da redação
Quase quarenta por cento da população do Afeganistão deverá enfrentar níveis elevados de insegurança alimentar aguda neste inverno, conforme alerta conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa Mundial de Alimentos (WFP). Segundo as entidades, aproximadamente 19,2 milhões de pessoas estão em risco durante o período de escassez sazonal, que vai de novembro a abril. A projeção representa aumento em relação aos 17,4 milhões estimados para o mesmo intervalo no ciclo anterior.
A ONU informa que cinco milhões de afegãos, em situação de insegurança alimentar aguda, podem atingir níveis de fome considerados de emergência, o dobro do previsto para o semestre anterior. A análise da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC) indica agravamento da crise, impulsionada principalmente por choques sucessivos, como o retorno forçado de mais de 1,2 milhão de afegãos ao país, fechamento de fronteiras e interrupção das rotas comerciais essenciais.
O impacto afeta especialmente mães e crianças. As agências apontam que os casos de subnutrição devem aumentar em cerca de dez por cento, chegando a quatro milhões, sendo um quarto desses casos classificados como graves e potencialmente fatais. A falta de financiamento e a intensificação das dificuldades contribuem para a piora da situação, sobretudo com a chegada do inverno.
Apesar de chuvas favoráveis e previsão de precipitação acima da média devido ao fenômeno El Niño, que beneficiaram a produção agrícola e a recuperação de pastagens, a oferta maior de alimentos não resultou em segurança alimentar para as famílias. Persiste o desemprego, e muitas pessoas sem produção própria não conseguem adquirir dieta nutritiva, mesmo com alimentos disponíveis, segundo as agências.




