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ONU alerta que crise no Estreito de Ormuz ameaça economia global e alimentos


Da redação

A crise no Oriente Médio chegou ao terceiro mês marcada pela restrição imposta pelo Irã à liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Segundo António Guterres, secretário-geral da ONU, essa medida já causa impactos logísticos globais profundos, ameaçando o crescimento econômico e pressionando o preço dos alimentos para o consumidor.

Guterres destacou que o contexto atual pode reverter avanços de desenvolvimento conquistados após a pandemia e desde o início da guerra na Ucrânia. Mesmo com um possível levantamento imediato das restrições de navegação, especialistas alertam que os efeitos negativos persistirão, com as cadeias de suprimentos levando meses para se recuperar, mantendo produção baixa e preços elevados.

De acordo com previsões, o crescimento econômico global pode cair de 3,4% para 3,1% e a inflação, que vinha diminuindo, pode voltar a subir para 4,4%. O comércio internacional deve recuar, com a expansão prevista para mercadorias passando de 4,7% para apenas 2%. Um cenário intermediário projeta prolongamento da instabilidade até meados de 2026.

Nesse quadro, o crescimento global poderia ser ainda mais baixo, atingindo 2,5%, enquanto a inflação alcançaria 5,4%. Estima-se que 32 milhões de pessoas podem ser levadas à pobreza extrema e 45 milhões à fome extrema, principalmente devido à carência de fertilizantes prejudicando colheitas mundiais. Um cenário ainda pior apontaria estagnação e inflação acima de 6%.

O momento é de fragilidade aguda na infraestrutura da Faixa de Gaza, onde cerca de 1,9 milhão de pessoas foram desalojadas. Segundo avaliação recente, mais de 371 mil casas foram danificadas ou destruídas, deixando mais de 60% da população local sem moradia. Doenças parasitárias e infectocontagiosas aumentaram devido às más condições sanitárias.

Os custos de reconstrução em Gaza já ultrapassam US$ 71 bilhões, com o setor habitacional sendo o mais atingido. Especialistas da ONU defendem um plano de recuperação baseado em participação local, transparência e direitos humanos, criticando o “silêncio chocante” sobre as condições políticas necessárias para uma reconstrução efetiva.