Da redação
Mais de 723 mil pessoas foram afetadas pelas fortes inundações que atingem Moçambique desde meados de dezembro, principalmente nas províncias de Gaza, Maputo e Sofala. Milhares de famílias foram deslocadas e cerca de 77 mil estão abrigadas em 77 centros de acolhimento. O restante da população impactada permanece em comunidades de acolhimento ou assentamentos espontâneos, segundo dados divulgados pelas Nações Unidas nesta quarta-feira.
O chefe de Avaliação e Coordenação de Desastres da ONU, Sergio da Silva, classificou as inundações como as maiores que o país experimentou em décadas. Segundo ele, “a coordenação, também através dos setores humanitários, é crítica para termos certeza que as pessoas com necessidades terão ajuda em termos de abrigos, água, saúde, alimentação e proteção”. Mais de 171 mil casas foram inundadas ou destruídas, 229 unidades de saúde danificadas e 355 escolas atingidas pelas chuvas.
Da Silva ressaltou a importância da colaboração entre governo, agências da ONU e organizações da sociedade civil para garantir que a assistência chegue a quem mais precisa. Até o momento, cerca de 90 mil pessoas receberam apoio emergencial, com foco na província de Gaza.
O risco de doenças aumentou devido aos danos em instalações de saúde e ao sistema de abastecimento de água. A ameaça inclui cólera e malária. Organizações como Unicef, OMS e Gavi anunciaram a retomada das campanhas preventivas de vacinação contra a cólera, suspensas desde 2022 por falta de estoques globais. O fornecimento internacional foi restabelecido, permitindo agora a distribuição de 20 milhões de doses.
Moçambique é o primeiro país a retomar a campanha preventiva, que acontece em meio ao atual surto de cólera e às consequências das inundações. Foram entregues 3,6 milhões de doses ao país como parte das ações emergenciais.





