Da redação
As infecções por sarampo nas Américas registraram aumento de quase cinco vezes, com pelo menos 55.792 casos confirmados e 77 mortes, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A entidade alertou que eventos religiosos de grande porte na América do Sul elevam o risco de transmissão do vírus diante da maior circulação de pessoas e das lacunas na vacinação.
De acordo com avaliação regional da Opas, o risco de propagação do sarampo é considerado “muito elevado”, especialmente com a chegada de milhares de pessoas a eventos na Argentina, no Peru e no Uruguai. Entre 4 de janeiro e 3 de outubro, foram notificados cerca de 55,8 mil casos confirmados da doença e 77 óbitos em 17 países e territórios. Guatemala, México, Estados Unidos, Peru e Canadá concentram 99,5% dos casos, totalizando cerca de 55,5 mil registros. No Brasil, foram reportados ao menos 39 casos do vírus.
A Opas atribui o aumento global de casos à baixa cobertura vacinal, atrasos deixados pela pandemia de Covid-19, hesitação em relação à vacina e limitações de acesso aos serviços de saúde. Segundo o órgão, apenas cerca de 25% dos 43 países e territórios que forneceram dados alcançaram a meta de 95% de imunização com as duas doses recomendadas. Ainda conforme a Opas, cerca de 1,6 milhão de crianças não haviam recebido nenhuma dose da vacina contra o sarampo em 2025.
O gestor executivo do Programa Especial de Vacinação Integral da Opas, Daniel Salas, recomendou que pessoas sem comprovante de vacinação tomem uma dose contra sarampo e rubéola, preferencialmente duas semanas antes de viagens. A Opas também reforçou que apenas vacinar viajantes é insuficiente e orientou governos a intensificarem campanhas de imunização, vigilância e rastreamento de contatos.




