Por Alex Blau Blau
Ação cumpriu mandados em quatro cidades paulistas e resultou em prisões, bloqueio bilionário de bens e na busca por empresário apontado como um dos principais investigados
Uma operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira, 3 de julho, mobilizou dezenas de agentes em São Paulo para desarticular um grupo investigado por suspeita de lavar dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. A ofensiva também alcança pessoas que foram recentemente sancionadas pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Ao todo, foram cumpridos 24 mandados judiciais, sendo 13 de busca e apreensão e 11 de prisão temporária, nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. As determinações partiram da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Conforme informações divulgadas pelas autoridades norte americanas, ela seria parente do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada e atuaria como responsável por intermediar operações financeiras e recolhimento de grandes quantias em dinheiro. As alegações fazem parte das investigações e ainda serão analisadas pela Justiça.
Já Victor Shimada não foi localizado durante o cumprimento dos mandados e, até o momento, é considerado foragido. Segundo as investigações, ele é proprietário de quatro empresas que também foram alvo de sanções aplicadas pelos Estados Unidos por suspeita de participação em um esquema internacional de lavagem de dinheiro.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado utilizava uma estrutura complexa para movimentar recursos financeiros por meio de transferências envolvendo criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de elevado valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.
A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens, valores e ativos digitais dos investigados, em montante que pode chegar a R$ 10,4 bilhões, como forma de preservar recursos que poderão ser utilizados no decorrer da ação penal, caso as acusações sejam confirmadas.
As empresas citadas nas investigações são a Avenidas Flutuantes Unipessoal, sediada em Portugal, a Wave Construções Inteligentes, a Pixwave Soluções de Pagamentos e a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia.
Segundo autoridades dos Estados Unidos, Victor Shimada seria um elo relevante em um esquema internacional de lavagem de dinheiro atribuído a integrantes do PCC, com movimentação superior a 30 milhões de dólares. As autoridades brasileiras investigam essas suspeitas, que ainda dependem de comprovação no processo judicial.
Com as sanções impostas pelo governo norte americano, todos os bens e ativos atribuídos aos investigados em território dos Estados Unidos foram bloqueados. Além disso, cidadãos e empresas daquele país estão proibidos de realizar transações comerciais com os sancionados, enquanto instituições financeiras estrangeiras que mantiverem relações comerciais com eles poderão sofrer restrições previstas na legislação americana.
Em nota, a defesa de Victor Shimada informou que tomou conhecimento da operação nesta sexta feira, mas afirmou que ainda não teve acesso às decisões judiciais nem ao conteúdo da investigação. Os advogados declararam que somente irão se manifestar após analisarem oficialmente os autos do processo e adotarão as medidas jurídicas que considerarem cabíveis.




