Da redação
Vinte e duas mulheres foram resgatadas de condições análogas à escravidão em estabelecimentos de exploração sexual em cidades da Paraíba e Pernambuco durante a operação Donos da Noite, realizada na semana passada. A ação foi coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego após a identificação de indícios de tráfico de pessoas.
De acordo com as investigações, os estabelecimentos vistoriados em Goiana (PE), Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande (PB), além de Nova Cruz (RN), pertenciam a uma empresa administrada por uma empresária e familiares. Os nomes da empresa e de seus representantes não foram divulgados oficialmente pelas autoridades envolvidas no caso.
Relatos colhidos durante a operação apontam a existência de um sistema de servidão por dívida que mantinha as trabalhadoras vinculadas aos estabelecimentos. As mulheres acumulavam débitos relativos à alimentação, roupas, procedimentos estéticos e outros itens, com valores definidos unilateralmente pelos empregadores, muitas vezes acima dos praticados no mercado.
Segundo as declarações das vítimas, não havia transparência sobre os valores devidos ou recebidos, e algumas afirmaram ter passado semanas sem pagamento. A pressão psicológica para o cumprimento de jornadas exaustivas e a imposição de multas em caso de recusa de programas sexuais também foram identificadas pela fiscalização. Os auditores relataram que muitas viviam em quartos coletivos sem ventilação e com instalações sanitárias precárias.
A empregadora apontada como líder da organização foi formalmente notificada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho por submeter pessoas a condições análogas à escravidão. As autoridades determinaram a interrupção imediata das atividades, o pagamento de direitos trabalhistas e o custeio da volta das mulheres aos seus locais de origem.
A operação Donos da Noite teve início com investigações da Polícia Civil e foi federalizada após suspeitas de tráfico de pessoas e exploração sexual. Além do Ministério do Trabalho e Emprego, também participaram Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública da União.





