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Pesquisa do IPEDF aponta ciúme e machismo como causas da violência contra mulheres


Da redação

Homens condenados por feminicídio no Distrito Federal relataram, em pesquisa inédita divulgada nesta semana, que comportamentos como ser uma mulher “pra frente”, se envolver em discussões ou manter amizades com mulheres solteiras são vistos por eles como motivos reprováveis. O levantamento aponta ciúme, traição e defesa da honra entre os gatilhos mais citados pelos condenados.

O estudo, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF em parceria com a Secretaria da Mulher, ouviu 5.093 pessoas em diferentes regiões, sendo 1.541 mulheres sobre experiências de violência, além de 39 homens já condenados por feminicídio, entrevistados de forma voluntária dentro do sistema prisional. A pesquisa objetiva mensurar a violência e entender seus fatores.

A governadora Celina Leão destacou a importância de dados oficiais e afirmou que “a institucionalização de pesquisas públicas dá um caminho, um rumo do que está acontecendo e de como enfrentar esse desafio”. Ela informou que editará um decreto para garantir a continuidade da pesquisa bienalmente no DF. Leão também ressaltou a necessidade de combater estruturas machistas.

Manoel Clementino, presidente do IPEDF, explicou que o levantamento ampliou a identificação das formas de violência, usando 28 tipificações da Lei Maria da Penha. Ele observou que “nem sempre o homem que pratica a violência reconhece, nem sempre a mulher que sofre a violência se sente à vontade para dizer que sofreu”. A metodologia buscou superar essas barreiras.

Testemunho de Alice*, 57, relatou violência doméstica desde a adolescência, com agressões físicas, perseguições e tentativa de homicídio. O ciclo só foi rompido após ser atingida por disparo de arma — episódio em que o agressor foi preso. Alice hoje atua no incentivo à denúncia e à busca de autonomia pelas vítimas, afirmando: “Denuncie, estude, se profissionalize”.

Entre os entrevistados, 77,6% das mulheres afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência. Os tipos mais comuns são violência moral (62,6%), psicológica (61,5%), patrimonial (39,6%), física (39,6%) e sexual (35,4%). Segundo o levantamento, 93,5% das vítimas relatam consequências emocionais, e 58,3% afirmam que filhos ou enteados presenciaram as agressões.