Da redação
Diálogos entre Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), foram localizados pela Polícia Federal no celular de Fialek. Segundo a corporação, as conversas detalham a atuação do ex-deputado na indicação de emendas parlamentares em Minas Gerais, por meio de documentos que, de acordo com a investigação, visavam ocultar o verdadeiro solicitante das verbas. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens de Cunha até o limite de R$ 6 milhões, com base em informações enviadas pela Polícia Federal.
Investigadores afirmam que Cunha, mesmo sem mandato, teria articulado o envio de 21 emendas do chamado orçamento secreto para municípios mineiros. Trechos das conversas analisados pela Polícia Federal apontam que Tuca atuava como consultora e facilitadora das demandas apresentadas por Cunha. Em uma das interações, Cunha reclamou de prefeitos do estado: “Eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc.” As conversas ainda citam parlamentares como Gilberto Abramo (Republicanos-MG), Nikolas Ferreira (PL-MG), João Magalhães (PSD-MG) e o senador Cleitinho Azevedo (PL-MG).
Segundo a Polícia Federal, Tuca utilizava seu conhecimento sobre procedimentos de emendas e, ao lado de Cunha, discutia o fracionamento e remanejamento de recursos, inclusive com referência a cidades como Manhuaçu, Lajinha, Matias Barbosa, Pedrinópolis e Varjão de Minas. Em novembro de 2025, o ex-deputado encaminhou à ex-assessora uma planilha com valores e repasses para municípios mineiros, incluindo cifras de até R$ 5 milhões.
A defesa de Eduardo Cunha afirma desconhecer qualquer irregularidade no envio das emendas, contesta o bloqueio patrimonial e ressalta que o ex-deputado “não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas”. Segundo nota, o valor questionado corresponde ao total destinado a municípios, não havendo imputação de recebimento de vantagem por Cunha.




