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PF aponta que empresas no DF movimentaram R$ 304 milhões em suposto esquema de lavagem ligado à Farra do INSS

Por Alex Blau Blau

Investigação identifica empresas de fachada em sobrado no Recanto das Emas e indicia 48 pessoas por suspeita de participação em fraudes contra beneficiários do INSS

A Polícia Federal identificou que empresas registradas em um sobrado no Recanto das Emas, no Distrito Federal, teriam sido utilizadas para movimentar mais de R$ 304 milhões provenientes do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo a investigação, o núcleo ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) teria obtido cerca de R$ 708 milhões com as fraudes.

De acordo com o relatório da PF, pelo menos dez empresas foram registradas no endereço em nome de pessoas ligadas à Conafer e à Associação dos Aposentados do Brasil (AAB). Os investigadores afirmam que os imóveis funcionavam como empresas de fachada, utilizadas para ocultar a origem dos recursos desviados por meio de operações de lavagem de dinheiro.

Entre os indiciados estão Cícero Marcelino de Souza Santos, Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior e Lucineide dos Santos Oliveira, apontados como integrantes da estrutura investigada. Eles tiveram o indiciamento solicitado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

As investigações também apontam que uma empresa registrada em nome de Samuel Chrisóstomo estaria oficialmente instalada no mesmo endereço de uma igreja evangélica administrada por Lucineide, reforçando a suspeita de que parte das empresas não exercia atividade econômica compatível com os registros apresentados.

O relatório faz parte da primeira etapa da Operação Sem Desconto e foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Caberá à Procuradoria-Geral da República analisar o material e decidir se apresentará denúncia contra os 48 investigados.

Segundo a Polícia Federal, o prejuízo causado pelas fraudes pode alcançar cerca de R$ 6 bilhões em descontos indevidos aplicados sobre benefícios previdenciários. As investigações prosseguem para identificar novos envolvidos e aprofundar a apuração sobre outras entidades suspeitas de participar do esquema.