Por Alex Blau Blau
Investigação analisa se informações sobre vendas parceladas foram registradas de forma a reduzir a base utilizada no pagamento de premiações a gerentes
A Polícia Federal investiga suspeitas de irregularidades na contabilização do faturamento da Casas Bahia que podem ter provocado redução no pagamento de bônus e premiações destinados a gerentes de lojas da rede.
A apuração concentra atenção no modelo utilizado pela empresa para estabelecer metas e calcular a remuneração variável dos funcionários. A suspeita é de que juros e encargos cobrados nas vendas parceladas tenham ficado fora dos valores considerados para medir o desempenho das unidades.
Segundo os elementos reunidos na investigação, determinados relatórios poderiam apresentar apenas o preço equivalente ao pagamento à vista, mesmo quando a compra era realizada de forma parcelada. Com uma receita menor registrada para efeito das metas, o valor utilizado no cálculo das premiações também poderia ser reduzido.
Sistemas internos são analisados
A Polícia Federal também verifica o funcionamento de sistemas utilizados pela companhia para acompanhar resultados relacionados à venda de produtos, móveis, serviços e operações de crédito.
Documentos e relatos de gerentes já foram reunidos. Parte desses funcionários afirma que não recebeu integralmente valores referentes às premiações e que, ao buscar explicações, teria sido informada de que os juros cobrados nos carnês pertenciam a instituições financeiras parceiras.
A investigação, no entanto, analisa documentos do Banco Central e de uma instituição bancária que podem apresentar informações diferentes sobre a responsabilidade pelas operações de crédito realizadas por meio dos carnês.
Diante dos elementos levantados até agora, a Polícia Federal apura a eventual ocorrência de fraude ou falsificação e busca determinar se a prática, caso seja confirmada, poderia ter ocorrido em unidades de diferentes regiões do país.
Investigação ocorre durante crise financeira
A apuração acontece em um período de forte dificuldade financeira para a Casas Bahia. A companhia apresentou pedido de recuperação judicial e busca renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
O processo de reestruturação prevê o encerramento de 298 lojas e pode resultar na dispensa de 1,9 mil a 3 mil trabalhadores. O pedido de recuperação judicial foi apresentado no último domingo, 16 de agosto.
Enquanto aguarda a análise da Justiça, a empresa conta com proteção temporária contra cobranças de credores. As demissões coletivas, por sua vez, estão suspensas por determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região.





