Da redação
A Polícia Federal investiga suspeitas de venda de decisões do Superior Tribunal de Justiça em favor do empresário e ex-senador Luiz Estêvão, conforme relatório da corporação. Segundo a investigação, as negociações teriam envolvido o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e a advogada Aline Gonçalves de Sousa, esposa do juiz federal Cesar Jatahy, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília.
De acordo com a Polícia Federal, Andreson Gonçalves, atualmente em prisão domiciliar em Mato Grosso, teria atuado irregularmente junto ao Superior Tribunal de Justiça para obter decisões favoráveis ao Grupo OK, de Luiz Estêvão, sob relatoria do ministro Moura Ribeiro. O órgão solicitou que o Supremo Tribunal Federal autorizasse a investigação formal do magistrado. O relatório cita transferências financeiras e conversas entre Andreson, Aline e advogados, incluindo menção a um pagamento de R$ 250 mil ao advogado Roberto Zampieri após decisão judicial de 2021 em benefício do Grupo OK.
Procurado pela reportagem, Luiz Estêvão afirmou que não teve acesso ao material da Polícia Federal e que não poderia comentar o conteúdo. Moura Ribeiro, por meio da assessoria do Superior Tribunal de Justiça, declarou que desconhece a existência de investigação a seu respeito e afirmou que “são completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos”. A defesa de Andreson e Mirian Ribeiro nega qualquer irregularidade e afirma que não há elementos suficientes para concluir pela prática de ilícitos pelo ministro.
Em maio, a Procuradoria-Geral da República denunciou nove pessoas na investigação sobre suposta venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça, entre elas Andreson de Oliveira Gonçalves e Mirian Ribeiro. Luiz Estêvão cumpre pena em regime aberto após condenações por corrupção ativa, peculato e estelionato, e foi beneficiado em 2023 pelo último indulto de Natal concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).





