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PF investiga sobrinho de Walter Feldman por desvio de R$ 15 milhões no ICB


Da redação

A operação Make Up tem como um dos principais alvos André Feldman, sobrinho do ex-deputado federal Walter Feldman, figura do PSDB e fundador da Rede. André e sua esposa, Débora Gomes Feldman, são investigados como proprietários de empresas que receberam altos valores do Instituto Conhecer Brasil (ICB) com recursos públicos, e parte desse montante foi repassada à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização de Karina Gama.

De acordo com decisão do ministro Flávio Dino, a empresa Complexsys, de André Feldman, recebeu R$ 9,9 milhões do ICB entre outubro de 2024 e abril de 2026 para instalação e manutenção de wi-fi em São Paulo. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que parte desses recursos foi transferida à ANC. O relatório afirma: “As movimentações narradas apresentam fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB para a esfera de disponibilidade dos próprios responsáveis pela OSC, com potencial caracterização de desvio e contornos de lavagem de dinheiro”.

Débora Gomes Feldman, por meio da Fastfuture Tecnologias Emergentes, também recebeu R$ 5,1 milhões do ICB em sete transferências entre julho e dezembro de 2025. Parte desses valores foi repassada à ANC e a outras empresas, como a Distribuidora de Produtos LMS, que no mesmo dia transferiu R$ 300 mil à ANC. Durante esse período, a empresa fez transferências pontuais, como um PIX único de R$ 635 mil.

Em junho, apuração do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania apontou a inclusão, pelo ICB, de uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida e depois cancelada pela Complexsys. Além disso, contratos firmados com ex-sócios da empresa, como Eduardo Ferreira Franco e Rodrigo Raveli, motivaram investigações sobre repasses destinados a projetos e eventos ligados a Karina Gama e a empresa São Paulo Turismo (SPTuris). Nem Rodrigo Raveli nem Eduardo Franco são investigados pela Polícia Federal. Não foi possível contato com a defesa de André Feldman. Walter Feldman não quis comentar.