Da redação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deu anuência ao plano do governo do Rio de Janeiro que prevê a retomada policial de comunidades sob controle do tráfico e de milícias. A manifestação de Gonet aconteceu por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da ADPF 635.
O plano, apresentado como projeto-piloto para Rio das Pedras, Muzema e Gardênia, propõe operações policiais simultâneas nessas localidades, denominadas “Cinturão de Jacarepaguá”. A proposta prevê que, após a retomada, sejam instalados comitês populares e postos de Defensoria Pública e do Ministério Público. A Defensoria Pública e o Conselho Nacional do Ministério Público concordaram com a proposta.
A iniciativa foi apresentada ainda sob a gestão do então governador Cláudio Castro (PL), envolvendo secretários que permanecem no governo interino de Ricardo Couto, como o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos. Santos afirmou que o projeto depende da homologação do Supremo para começar a valer, o que ainda não ocorreu. Especialistas avaliam que obstáculos como a não homologação do STF não impedem a execução, mas criticam pontos do projeto considerados abstratos.
As áreas escolhidas possuem geografia plana, ao contrário de regiões como o Complexo do Alemão e Rocinha. Segundo o governo, a simultaneidade das operações busca evitar fuga de suspeitos entre comunidades, priorizando a prisão de lideranças previamente identificadas e o mapeamento de rotas de fuga. O plano, com 200 páginas, não detalha como a polícia atuará nas ações nem a origem dos recursos necessários para sua execução.





