Início Brasil PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro por pressão contra ministros do STF

PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro por pressão contra ministros do STF

Por Alex Blau Blau

Acusação aponta tentativa de interferência em processos ligados aos atos golpistas após as eleições de 2022 e cita articulações internacionais contra autoridades brasileiras

A Procuradoria Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a condenação do ex deputado Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. Segundo a acusação, ele teria atuado para pressionar ministros da Corte e tentar interferir no andamento das ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado investigada após as eleições presidenciais de 2022.

O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo. Nas alegações finais, o procurador geral Paulo Gonet afirma que Eduardo Bolsonaro promoveu uma série de ações no exterior com o objetivo de constranger integrantes do Judiciário brasileiro e favorecer politicamente o ex presidente Jair Bolsonaro e aliados investigados.

De acordo com a manifestação, o ex parlamentar teria buscado apoio de autoridades estrangeiras para defender medidas contra membros do Supremo, incluindo restrições diplomáticas, sanções econômicas e suspensão de vistos. A acusação sustenta que as movimentações tiveram potencial de gerar pressão institucional sobre o tribunal.

A Procuradoria afirma ainda que há registros de entrevistas, vídeos e declarações públicas nas quais Eduardo Bolsonaro teria admitido trabalhar para incentivar sanções internacionais contra autoridades brasileiras. Para o órgão, as falas demonstram intenção clara de influenciar decisões judiciais em andamento.

O documento também destaca que parte das medidas defendidas pelo ex deputado acabou produzindo reflexos econômicos e políticos, atingindo setores ligados à exportação brasileira e provocando impactos em cadeias produtivas.

Segundo a acusação, a atuação do ex parlamentar ultrapassou os limites da liberdade de expressão e não pode ser protegida pela imunidade parlamentar, já que os fatos investigados teriam ocorrido fora do exercício direto do mandato e em articulações realizadas no exterior.

Eduardo Bolsonaro não apresentou defesa prévia no processo nem indicou representantes legais. Diante disso, a Defensoria Pública da União passou a atuar em sua defesa. O ministro Alexandre de Moraes concedeu prazo de quinze dias para manifestação dos defensores antes da conclusão do processo.

Com o envio das alegações finais pela Procuradoria Geral da República, o caso entra na fase final antes do julgamento pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.