Por Alex Blau Blau
Nova fase da operação busca esclarecer se representantes de instituições financeiras tinham conhecimento de manobras que ocultavam o endividamento da varejista
A investigação sobre a fraude contábil envolvendo as Americanas ganhou um novo capítulo. A Polícia Federal passou a apurar a possível participação de executivos de três das maiores instituições financeiras do país em supostas irregularidades relacionadas ao esquema que levou à descoberta de um rombo bilionário nas demonstrações financeiras da empresa.
A nova etapa das investigações integra a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira, e amplia o foco da apuração, que antes estava concentrado em ex dirigentes da companhia. Agora, os investigadores procuram identificar se representantes do Itaú, Bradesco e Santander tinham conhecimento de operações financeiras que teriam contribuído para esconder o real nível de endividamento da varejista.
Segundo as investigações, um dos principais pontos analisados envolve operações conhecidas como risco sacado, modalidade utilizada para antecipação de pagamentos a fornecedores. A suspeita é de que esses compromissos financeiros tenham sido registrados de forma inadequada, reduzindo artificialmente a percepção das dívidas da empresa. Outro eixo da investigação envolve registros relacionados às verbas de propaganda cooperada, que, conforme os investigadores, poderiam incluir contratos sem respaldo econômico efetivo.
Entre os investigados estão executivos ligados às três instituições financeiras, além de antigos integrantes da administração das Americanas, membros do conselho da companhia e um dos controladores da empresa. Também figura entre os alvos o ex diretor financeiro que firmou acordo de colaboração, cujas declarações passaram a integrar o conjunto de provas reunidas pela investigação.
Durante a operação, policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões, montante calculado com base na estimativa dos prejuízos apontados pelos laudos técnicos produzidos ao longo das investigações.
Em depoimento às autoridades, o ex diretor financeiro afirmou que informações sobre operações de risco sacado teriam sido retiradas de documentos relacionados aos balanços da companhia. As instituições financeiras investigadas negam qualquer participação em irregularidades.
Em nota, a Americanas informou que não foi alvo das medidas de busca realizadas nesta fase da operação e reiterou que continuará colaborando com o trabalho das autoridades responsáveis pela investigação.





