Início Brasil Polícia Federal investiga venda de itens nazistas em plataformas de leilões online

Polícia Federal investiga venda de itens nazistas em plataformas de leilões online


Da redação

Objetos como medalhas, selos, postais com suásticas e fotografias de militares alemães em uniformes da Segunda Guerra Mundial têm sido ofertados em leilões virtuais e plataformas de venda, apesar da proibição legal para comercialização destinada à divulgação do nazismo. Segundo o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foi enviada petição ao Ministério Público Federal solicitando investigação sobre o caso. A Procuradoria determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito, que atualmente tramita na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

As buscas em sites de leilões identificaram objetos como fotografias de militares nazistas vendidas a R$ 45, medalhas de mérito em batalhas por R$ 600 e cartões com suásticas a partir de R$ 50. No leilão Empório das Artes, o leiloeiro Carlos Henrique Moraes Damaceno afirmou que a atuação é dedicada ao colecionismo técnico e à preservação da memória histórica, declarando: “Destes, apenas 29 itens (cerca de 3%) fazem referência ao período da Segunda Guerra Mundial/Terceiro Reich, o que demonstra que não há foco temático, mas sim uma curadoria de história global”.

A LeilõesBR, plataforma que hospeda os anúncios, informou que fornece apenas a tecnologia necessária e que não participa da seleção nem avalia a autenticidade dos lotes, atribuindo essa responsabilidade aos organizadores dos leilões. O painel administrativo traz um aviso permanente sobre essa obrigação. Os lances permanecem registrados, porém não é possível identificar os compradores ou confirmar a conclusão das vendas.

De acordo com a Federação Israelita do Estado de São Paulo, a venda desses itens é “profundamente condenável”, pois contribui para a banalização da ideologia nazista. O CNDH destaca que a continuidade dessas vendas configura violação concreta, com registros desde 2018, e solicita diligências para apurar a possível configuração de crime, defendendo apuração de responsabilidades na esfera civil e penal.