Da redação
A eleição presidencial de 2026 tem sido marcada pelo protagonismo inédito da política externa, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) destacando temas como relações com líderes estrangeiros, sanções comerciais e alinhamento geopolítico, segundo especialistas. Ambos atribuem a responsabilidade pelo tarifaço americano imposto pelo governo Donald Trump ao adversário, tornando o tema central na disputa e buscando evitar desgaste eleitoral.
Conforme Leandro Gabiati, professor do Ibmec-DF, o envolvimento dos Estados Unidos é explícito, com declarações de assessores de Trump, manifestações do presidente americano e negociações com aliados de Flávio Bolsonaro conectando o debate nacional a disputas internacionais. Já Lula associa a crise comercial às ações da família Bolsonaro junto à Casa Branca, que classifica como “entreguistas”, enquanto Flávio Bolsonaro responsabiliza a condução diplomática do PT e afirma ter tentado evitar prejuízos ao país.
O contexto internacional é reforçado pela aproximação entre a direita brasileira e governos conservadores estrangeiros, como o do presidente argentino Javier Milei e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que expressam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em paralelo, Lula busca respaldo em fóruns multilaterais, defendendo posições convergentes com o Brics, grupo liderado pela China e do qual o Irã integra, além de enfrentar a oposição dos EUA a instrumentos como o PIX e discutir acordos no Mercosul.
Eduardo Galvão, diretor da consultoria internacional Burson, afirma que o pleito de 2026 é o mais influenciado pelo cenário externo desde 1989, com temas como tarifas americanas e decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo cidadãos dos Estados Unidos ocupando o centro do debate. Galvão destaca que, embora fatores internos ainda predominem no voto, decisões de potências globais impactam crescentemente a agenda nacional.




