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“Prejudica e muito o nosso trabalho”, afirma delegado Fernando Cocito sobre descriminalização da maconha no DF

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Da redação do Conectado ao Poder

Delegado da 18ª DP critica a decisão do STF e alerta sobre os impactos no combate ao tráfico e no trabalho policial

O delegado-chefe da 18ª Delegacia de Polícia, Fernando Cocito, esteve no programa “Rota Atividade”, da rádio Atividade FM (107,1), e concedeu uma entrevista ao jornalista Sandro Gianelli, onde criticou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a descriminalização do porte de até 40 gramas de maconha para consumo pessoal. Cocito destacou que a medida tem dificultado seriamente o trabalho da polícia, enfraquecendo a fiscalização e incentivando o aumento do tráfico de drogas.

“Prejudica e muito o nosso trabalho. A impressão agora é de que a droga foi legalizada. Os usuários estão cada vez mais descarados, consumindo nas esquinas sem se preocupar com a polícia”, afirmou o delegado, ressaltando que a sensação de impunidade gerada pela decisão tem facilitado o consumo desenfreado.

Aumento do consumo e fortalecimento do tráfico

Cocito também alertou que a mudança no entendimento sobre a posse de maconha trouxe consequências negativas para o combate ao tráfico. Segundo ele, o aumento do consumo de maconha nas ruas tem fortalecido os traficantes, já que a legalização da posse de pequenas quantidades estimula a demanda. “O consumo dobrou e o traficante se empoderou. O tráfico existe porque há usuários, e quando o número de consumidores aumenta, o tráfico também cresce”, disse.

O delegado ainda explicou que, ao legalizar a posse de pequenas quantidades, a medida cria um cenário mais favorável para os traficantes. “Não há mais aquela pressão sobre o usuário. O tráfico se fortalece à medida que cresce a demanda por drogas”, concluiu.

Desafios para a polícia e insegurança para os policiais

O delegado também falou sobre as dificuldades enfrentadas pela polícia para combater o tráfico em decorrência da nova legislação. Antes da decisão, a polícia conseguia identificar traficantes mesmo com pequenas quantidades de maconha, por meio de investigações detalhadas. Com a mudança, no entanto, a situação ficou mais complexa.

“Agora, com a nova regra, muitos policiais deixam de agir, porque sabem que, se não tiverem provas concretas de tráfico, podem ser responsabilizados por alterar a presunção de usuário para traficante”, explicou Cocito. Esse temor tem levado alguns policiais a evitar conduzir suspeitos de tráfico à delegacia, o que dificulta ainda mais o trabalho de investigação.

Impactos nas ruas e aumento da insegurança para os policiais

Cocito também apontou como a mudança tem afetado diretamente as ruas. Ele mencionou que, em regiões como Brazlândia, onde o tráfico foi parcialmente controlado, a legalização da posse de pequenas quantidades de maconha fez com que o tráfico migrasse para outras áreas, como a rodoviária e a quadra 34. “Na rodoviária a gente tem maconha, mas também tem crack. A maconha é a porta de entrada, tudo começa ali”, explicou.

O delegado finalizou sua entrevista destacando o aumento da insegurança para os policiais. “Hoje, o policial sai de casa para prender criminosos e, em muitas situações, ainda corre o risco de ser investigado ou atacado pela comunidade. O trabalho da polícia nunca foi tão difícil”, afirmou, refletindo sobre as condições de risco que os profissionais de segurança enfrentam no dia a dia.

Com o aumento do consumo e a expansão do tráfico, a polícia continua a enfrentar sérios desafios. A decisão sobre a descriminalização da maconha segue sendo um tema controverso e, enquanto não houver uma revisão legislativa, as autoridades policiais continuam lidando com as consequências desse novo cenário nas ruas.