Da redação
Autoridades da Bolívia prenderam o procurador-geral da República, Roger Mariaca, no Aeroporto de Viru Viru, conforme denúncia de uma servidora do Ministério Público, que afirmou que a detenção ocorreu sem mandado judicial ou explicação formal. A Polícia também deteve, até a manhã seguinte, outras 13 autoridades do país sob acusações de tráfico de drogas e organização criminosa, incluindo o ex-ministro Eduardo Del Castillo e o procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos.
Segundo o ministro do governo boliviano, Marco Antonio Oviedo, Mariaca é acusado de liderar uma organização criminosa ligada ao narcotráfico, que estaria infiltrada no Ministério Público e em outras esferas do poder. Oviedo divulgou imagens de pacotes de dinheiro retirados de um veículo supostamente ligado à residência de Mariaca e associou o grupo aos protestos que paralisaram a Bolívia por mais de 50 dias, com pedidos pela renúncia do ex-presidente Rodrigo Paz.
Roger Mariaca foi eleito pelo parlamento boliviano durante o governo de Luiz Arce, com mandato de seis anos. Na última segunda-feira (28), os Estados Unidos revogaram os vistos de Mariaca e Zeballos, acusando-os de corrupção e narcotráfico, sem apresentação de provas. O Congresso da Bolívia convocou uma sessão para o próximo dia 5 de outubro para discutir a situação do Ministério Público.
O operador digital argentino Fernando Cerimedo, alvo de investigação por Mariaca, é acusado de tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas. Cerimedo atuou em campanhas de desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro e possui ligações com grupos de direita na América Latina, além de proximidade com a família Bolsonaro. A defesa de Cerimedo nega as acusações e alega perseguição política.



