Da redação
A Promotoria de Justiça de Santos pediu o arquivamento do inquérito que investigava as mortes de Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, e Gregory Ribeiro Vasconcelos, de 17, ocorridas em novembro de 2024. O pedido foi formalizado na última segunda-feira, 8, sob alegação de legítima defesa dos policiais militares envolvidos.
O promotor Fábio Perez Fernandez afirmou que não houve indiciamento ou denúncia contra os PMs, considerando que a perícia apontou ricochete de tiro de espingarda no caso de Ryan e que os agentes responderam a uma troca de tiros com Gregory e outro adolescente, de 15 anos. Segundo laudo, Ryan foi atingido na barriga por projétil desviado.
Moradores da rua onde ocorreu o incidente e o adolescente sobrevivente contestaram a versão policial, negando que tenha havido troca de tiros. Exame no corpo de Gregory mostrou que ele foi atingido por quatro disparos pelas costas, de um total de ao menos sete ferimentos por arma de fogo.
Apesar da quantidade de disparos e do fato de Gregory ter sido baleado por trás, a Promotoria concluiu que não houve indícios de excesso, dolo ou tentativa de execução sumária, mas sim “estrito cumprimento de dever legal”. O pedido de arquivamento segue entendimento da Polícia Civil e depende de decisão do Procurador-Geral de Justiça.
A defesa da família de Ryan informou, na quarta-feira, 10, ter apresentado recurso contra o arquivamento, “buscando o reconhecimento da prática de crime pelos agentes”, além de uma ação de indenização superior a R$ 1 milhão. Os advogados alegam que vítimas e familiares afirmam que os jovens estavam desarmados e citam ausência de câmeras no local.
O caso ocorreu na noite de 5 de novembro de 2024, quando três PMs abordaram Gregory e um adolescente de 15 anos, suspeitos de andar sem capacete em uma moto. Ao todo, foram feitos pelo menos 28 disparos, Ryan foi atingido a 50 metros, e os policiais, após afastamento, retornaram ao serviço operacional.




