Da redação
O ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), anulou a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que indicava queda na intenção de votos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, atendendo a pedido do PL. A decisão, publicada recentemente em Brasília, motivou questionamentos de integrantes das campanhas governista e petista.
Segundo o PL, o levantamento teria direcionado respostas ao apresentar aos entrevistados um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. A legenda solicitou ao TSE que a pesquisa fosse anulada, alegando prejuízo à imagem do parlamentar. Nunes Marques atendeu à solicitação em caráter liminar.
Petistas demonstraram dúvidas não apenas sobre o conteúdo da decisão, mas também por acontecimentos recentes desde que Marques assumiu a presidência do TSE. Um dos pontos destacados foi o fato de Marques, há duas semanas, ter passado a integrar a lista de ministros responsáveis por decidir sobre propaganda eleitoral, função antes exercida por Estela Aranha.
Além disso, Marques também designou o ministro André Mendonça para a mesma atribuição. De acordo com a legislação, até três ministros podem atuar nessas decisões. No entanto, a inclusão do próprio presidente do TSE e de Mendonça foi vista como centralização por outros membros da Corte. O pedido do PL já havia sido distribuído para Estela Aranha anteriormente.
Como André Mendonça, Nunes Marques foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Integrantes do governo observaram que Marques, ao assumir o TSE, proferiu sua primeira decisão favorável ao PL, partido de Flávio Bolsonaro. A liminar tem efeito imediato, mas ainda será analisada pelo plenário do Tribunal.
O diretor do AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou nesta segunda-feira, 8, que irá recorrer da decisão de Nunes Marques. “Vamos recorrer e confiamos no plenário do TSE para fazer uma justa aplicação da lei”, declarou Roman em suas redes sociais ao comentar o caso.





