Da redação
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Azzardo para desarticular uma rede de apostas ilegais que movimentou R$ 739 milhões. A ação ocorre no Distrito Federal e em São Paulo, Paraná, Ceará, Rio Grande do Norte e Goiás. A investigação começou há cerca de cinco meses, após denúncia à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pelo Departamento de Combate ao Crime Organizado (Decor). Além de mandados de busca e apreensão, são cumpridas medidas de bloqueio patrimonial. Pagamentos via Pix feitos a uma plataforma sem autorização eram direcionados a empresas com atividades declaradas sem relação com apostas.
Entre elas estavam uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas em Sobradinho. A investigação identificou empresas abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia. Dez empresas indicavam o mesmo telefone em um lote de Ceilândia.
Dezenas de empresas de fachada teriam sido usadas para concentrar valores e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive por meio de conversão em criptoativos. A apuração também alcança uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a operar como sociedade de crédito direto. Os dados apontam movimentação de cerca de R$ 1 bilhão pela instituição; no fim de julho, o BC anunciou a intenção de cancelar sua autorização.
A investigação também abrange três empresas com autorizações de loterias da Paraíba e do Rio de Janeiro, que não incluíam os sites investigados. Cerca de 200 policiais participam da operação, que cumpre 24 mandados no Distrito Federal. Os investigados podem responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa, com penas que podem chegar a 33 anos.




