Início Distrito Federal Regularização de assentamentos do MST impulsiona empreendedorismo rural e geração de renda

Regularização de assentamentos do MST impulsiona empreendedorismo rural e geração de renda


Da redação

Samuel Gomes Pereira, ex-motoboy de 21 anos, tornou-se produtor agrícola em 2010, quando integrou, junto a outras 65 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o assentamento Canaã, em Brazlândia (DF). A regularização da área e a entrega dos Contratos de Concessão de Uso (CCUs) aconteceram em 2025, segundo o Incra/DF.

A mudança de vida para Samuel trouxe, segundo ele, dignidade e estabilidade. “Antes eu não tinha onde morar, mas hoje eu tenho minha casa, meus cultivos… tenho as comunidades que apoiam a gente”, diz o agricultor. O assentamento está na Bacia do Descoberto, área responsável pelo abastecimento de água de mais da metade do Distrito Federal.

Originalmente explorada como monocultura de eucaliptos, segundo Samuel, a região enfrentava problemas de escassez hídrica e perda da vegetação nativa. Ele aponta que a ocupação dos assentados e os projetos de agrofloresta permitiram regenerar áreas do cerrado e melhoraram a qualidade do solo, tornando-o mais fértil e produtivo.

Todos os sábados, Samuel vende hortaliças e frutas na Feira da Ponta Norte, na 216 Norte. A feira reúne negócios familiares que comercializam, além de produtos in natura, itens como ovos, geleias, conservas e queijos artesanais. Agricultores como Armina Félix e o casal Francisca e Robin Mário da Cruz Ribeira ampliaram renda e profissionalização por meio de cursos oferecidos pela comunidade e entidades parceiras.

A participação em iniciativas como a CSA Flor de Lótus, fundada por Francisca e Robin no assentamento Oziel Alves III, em Planaltina, aumentou a integração entre produtores e consumidores. Segundo Mateus Castello Branco, co-agricultor da CSA desde 2018, esse modelo “valoriza quem conquistou a terra com o intuito de viver da agricultura”.

De acordo com o Sebrae, trabalhadores de assentamentos com cadastro válido têm acesso a cursos de capacitação para o desenvolvimento de pequenas propriedades. Maria do Socorro Protazio, fundadora da empresa Mel e Flor, afirma que a especialização em gestão foi essencial para ampliar sua produção e planeja exportar mel e derivados, consolidando-se na região.