Da redação
O relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar, Tom Andrews, pediu nesta quinta-feira (11) que a comunidade internacional não reconheça as eleições conduzidas pela junta militar do país e pressione pelo cancelamento do pleito. Segundo Andrews, a primeira rodada de votação, realizada em 28 de dezembro, revelou “coerção, violência e exclusão” e não foi livre, justa ou legítima, sendo caracterizada pelo relator como uma “encenação teatral”.
Andrews afirmou que a eleição foi planejada para “enganar a comunidade internacional”, impondo “enorme pressão” sobre o povo. Ele relatou baixa participação dos eleitores, medo generalizado de retaliações e ausência da Liga Nacional para a Democracia, dissolvida pela junta. Sua líder, Aung San Suu Kyi, segue detida desde o golpe militar de 2021, com paradeiro e condições desconhecidos.
De acordo com dados oficiais, o Partido União Solidariedade e Desenvolvimento, ligado à junta, conquistou quase 90% dos assentos disputados na Câmara do Parlamento. Estão previstas mais duas rodadas eleitorais para 11 e 25 de janeiro. A junta já excluiu 65 municípios e milhares de distritos e áreas de vila do processo eleitoral, indicando falta de controle sobre extensas áreas do país.
O relator denunciou que autoridades pressionaram deslocados, estudantes, servidores, detentos e cidadãos comuns a votar, ameaçando restringir acesso a serviços essenciais e usando até a ameaça de recrutamento forçado. “Isso não é participação política, é coerção”, disse Andrews, acrescentando que os militares desmontaram as bases da democracia em quase cinco anos e agora tentam legitimar as eleições.
Além disso, segundo Andrews, mais de 200 pessoas foram acusadas com base em lei eleitoral que criminaliza críticas ou protestos contra as eleições, podendo receber até 49 anos de prisão. Ele defende que os cidadãos birmaneses merecem uma eleição real e que a comunidade internacional deixe claro que “o futuro de Mianmar pertence ao seu povo, e não àqueles que o aprisionam, silenciam e aterrorizam”.







