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Relatório da ONU acusa forças israelenses de crimes sistemáticos contra crianças em Gaza


Da redação

Especialistas independentes da Comissão Internacional de Inquérito da ONU divulgaram nesta semana, em Genebra, relatório que relata o impacto do conflito nos Territórios Palestinos sobre as crianças, destacando abusos sistemáticos ocorridos entre 7 de outubro de 2023 e 31 de março de 2026. O estudo aponta “alvo deliberado” de menores palestinos por forças israelenses.

Segundo o documento, a análise abrange um contexto de “infância apagada”, caracterizado por fome, mutilações, isolamento social e sofrimento prolongado. O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, afirmou que desde o início das hostilidades morreram 20 mil crianças e outras 44 mil ficaram feridas. Menores de idade representam 30% das mortes registradas na região.

A comissão indicou que a violência contra crianças ocorre por dois meios principais: bombardeios aéreos de alto impacto e fogo de precisão com drones, quadricópteros e franco-atiradores. Para os investigadores, “ao transformar crianças em alvos, ataca-se diretamente a capacidade de existência e o próprio futuro do povo palestino”, mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025.

O relatório destaca episódios específicos, como o ataque na Praia de Zikim, quando cinco adolescentes palestinos foram mortos junto a um civil e a um soldado israelense durante o desembarque do Hamas. Em outro caso, um jovem palestino de 14 anos foi baleado por uma patrulha militar israelense na Cisjordânia e morreu após permanecer ferido no chão por 45 minutos, enquanto a mãe também foi alvejada.

Além das mortes imediatas, o relatório aponta consequências graves para toda uma geração, como desnutrição, orfandade, deslocamentos contínuos e destruição das redes de saúde e educação, resultando em colapso psicológico de longo prazo entre as vítimas, com impactos para sua vida adulta.

As conclusões da comissão coincidem com avaliações de juristas internacionais e organizações de direitos humanos. Esses dados e achados foram incorporados à ação judicial movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, processo que segue em análise no tribunal.