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Relatório da ONU aponta aumento do nível do mar, aquecimento e poluição dos oceanos


Da redação

A saúde dos oceanos está em declínio acentuado, aponta a Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), divulgada nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas, no Dia Mundial dos Oceanos. O documento destaca que mares em risco exigem ação urgente da humanidade para evitar danos irreversíveis às zonas costeiras.

Com participação de 25 pesquisadores, incluindo o professor brasileiro Ronaldo Christofoletti, o relatório identificou que o aumento anual do nível do mar subiu mais de 50% em quatro anos, saltando de 3,2 milímetros para 4,3 milímetros por ano. Segundo Christofoletti, este avanço ampliará impactos principalmente em cidades litorâneas brasileiras.

O levantamento ainda revela que o degelo acelerado nas regiões Ártica e Antártica influi diretamente no descompasso climático global, alterando frentes frias e regimes de chuva no Brasil. Os efeitos, conforme os especialistas, ameaçam populações de 17 estados costeiros e tendem a afetar também a economia e o meio ambiente.

A pesquisadora portuguesa Maria João Bebianno chama atenção para os “poluentes emergentes”, como o aumento de antibióticos nos oceanos. Ela alerta que a proliferação dessas substâncias gera bactérias resistentes, criando riscos semelhantes aos observados em hospitais: “É alarmante. Precisamos de recuperar a saúde do oceano para, assim, recuperarmos a saúde humana”.

O relatório traz o conceito de “Uma Só Saúde”, ao conectar o bem-estar oceânico à saúde humana. O número de espécies marinhas afetadas por poluição plástica saltou de 1.400 para 4.076 em relação ao relatório anterior. O estudo também destaca fenômenos como acidificação, aquecimento e perda de oxigênio nos mares.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o alerta sobre a crise tripla envolvendo clima, biodiversidade e poluição. A WOA-3 reúne dados de mais de 550 cientistas de 86 países e abrange informações de 2018 a 2023 sobre saúde humana, áreas protegidas, produção alimentar, turismo, pesquisa tecnológica e gestão dos oceanos.