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Relatório da Opas aponta desigualdade no acesso à saúde no Brasil e vizinhos


Da redação

Sistemas de saúde da América do Sul enfrentam pressão crescente devido à má distribuição de profissionais, segundo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) divulgado nesta semana. O documento alerta que o acesso a cuidados médicos básicos ainda depende fortemente da localização do cidadão, afetando sobretudo países como Peru, Argentina, Chile, Colômbia e Brasil.

No Brasil, há grandes disparidades regionais. Médicos e enfermeiros se concentram nos grandes centros urbanos, especialmente na região Sudeste, enquanto Norte, Nordeste, zonas rurais e periferias sofrem com escassez desses profissionais. O estudo identifica que a geografia influencia diretamente as chances de sobrevivência da população, reforçando desigualdades no acesso à saúde.

O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou que “até 2030 o déficit de profissionais de saúde nas Américas pode chegar de 600 mil até 1 milhão”. Ele destacou que a Opas vem atuando no aperfeiçoamento dos recursos humanos por meio do campus virtual de saúde pública, que já formou quatro milhões de profissionais em cursos como manejo clínico de dengue e hipertensão.

Barbosa frisou a importância de criar carreiras que ofereçam perspectivas para profissionais em áreas rurais, defendendo salários adequados, capacitação e evolução profissional. Segundo ele, “é fundamental, assim como salários adequados”, que jovens tenham a possibilidade de seguir carreira em zonas remotas mas também migrem para centros urbanos se desejarem.

Em outros países, como o Peru, o déficit já passa de 54 mil profissionais entre áreas rurais e urbanas. Além disso, na Argentina, Chile e Colômbia, o “múltiplo emprego” e a migração têm sido estratégias comuns de sobrevivência financeira do setor, agravando a instabilidade.

O relatório destaca que a densidade de profissionais de saúde nos países sul-americanos varia de menos de 40 a quase 118 por 10 mil habitantes. Além disso, há um descompasso entre a formação acadêmica, focada em alta complexidade hospitalar, e as reais demandas por atenção básica e prevenção nas comunidades mais isoladas.