Da redação
A Oxfam Brasil divulgou relatório apontando que a desigualdade de renda no país se amplia devido à presença proporcionalmente maior de pessoas ricas na política. De acordo com o documento, elites econômicas, ao ocuparem cargos públicos, tendem a aprovar leis que desfavorecem redistribuição de recursos, mantendo privilégios e influência sobre o sistema democrático.
Segundo o estudo “Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia”, a concentração econômica oferece às elites poder de veto sobre políticas públicas e forte influência em eleições, dificultando iniciativas igualitárias. Os pesquisadores indicam que o sistema eleitoral sofre para garantir condições equitativas de disputa. Para a Oxfam, políticas de transferência de renda são insuficientes se não acompanhadas de mudanças estruturais, sobretudo na tributação.
A análise da Oxfam revela que a direção das burocracias estatais é composta majoritariamente por pessoas brancas, homens e ricas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, nas eleições de 2024, apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas e, em 2022, mulheres ocuparam 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados. No Senado, apenas 16 das 81 cadeiras são ocupadas por mulheres. O patrimônio médio dos homens eleitos é significativamente superior ao das mulheres, e 45% das pessoas eleitas em 2022 declararam possuir mais de R$ 1 milhão.
O relatório menciona que, dos candidatos ao Senado, nenhum dos que declarou patrimônio de até R$ 100 mil foi eleito, enquanto 55% das vagas foram ocupadas por candidatos milionários. O estudo também destaca agravamento das disparidades raciais e de gênero, com pouca diversidade entre as lideranças partidárias e beneficiários do financiamento de campanha, evidenciando mecanismos históricos de reprodução de privilégios no acesso ao poder político.





