Da redação
O Brasil enfrenta uma crise considerada a mais grave desde 1929, segundo Ricardo Guedes, físico formado pela UFRJ e doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago. Conforme Guedes, o país se encontra em situação institucional mais do que instável, à beira de uma ruptura de difícil recuperação, sem lideranças capazes de reverter o quadro.
De acordo com o especialista, o Poder Executivo está sem um plano de desenvolvimento e realiza gastos em programas apontados como improdutivos, colocando em risco o equilíbrio fiscal de 2027. No Legislativo, a atuação estaria restrita à discussão de emendas parlamentares e à busca de autopreservação. Já o Poder Judiciário enfrenta uma crise inédita no Supremo Tribunal Federal, o que enfraqueceria o tripé institucional necessário ao avanço nacional.
No campo econômico, Guedes salienta que o Produto Interno Bruto do Brasil passou de US$ 2,2 trilhões em 2010 para apenas US$ 2,3 trilhões em 2025, enquanto o PIB mundial avançou de US$ 86 trilhões para US$ 118 trilhões. A taxa de reinvestimento nacional é de 17% do PIB, frente à média global de 26%, e, segundo ele, a elite econômica priorizaria atividades de lazer em detrimento de investimentos produtivos.
O especialista critica ainda a polarização no cenário eleitoral, onde o eleitorado alterna entre possibilidades consideradas pouco promissoras e opções de renovação vistas como arriscadas. Para Guedes, a chamada terceira via não apresenta um projeto concreto para o país, tratando-se, segundo suas palavras, de “autoajuda”. Ele avalia que o agravamento das crises econômica, social e ambiental estaria levando ao individualismo e ao risco de fragmentação nacional.




