Da redação
Antigos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam ter migrado para Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições em Duque de Caxias (RJ), cidade marcada por comércio popular na Baixada Fluminense. Comerciante André Paulo da Silva relatou ter votado em Lula apenas em 2002, mas critica programas sociais e diz apoiar novos aliados de Bolsonaro. A cidade acompanha a tendência do Rio de Janeiro, onde o PT perdeu terreno para a direita, especialmente após a Operação Lava Jato.
Especialistas e lideranças políticas locais apontam fatores para a mudança, como a ausência de alianças do PT com lideranças tradicionais após a Lava Jato, o avanço do bolsonarismo e a influência do eleitorado evangélico. O ex-prefeito Washington Reis (MDB) afirma que “o Bolsonaro, por ser do estado, capturou esse ativo político, que estava órfão”. A cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cita a cooptação de elites e o “combo” de crise política, econômica e fortalecimento da extrema-direita.
Washington Quaquá (PT), prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do partido, avalia que o PT deixou de formar alianças amplas e passou a se focar em pautas identitárias, o que teria afastado o eleitorado conservador e popular fluminense. Para ele, Lula pode recuperar apoio local mediante parcerias com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e reforço das pautas sociais. O grupo de pesquisa Lappcom indica que 70% dos vereadores eleitos pelo PL em 2024 já atuavam na política.
Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que 32% dos residentes no Rio de Janeiro com dez anos ou mais se declaram evangélicos, índice acima da média nacional. O cientista político Antônio Alckmin cita lideranças como Silas Malafaia e a intervenção federal na segurança pública em 2018 como fatores para o crescimento da direita no estado.




