Da redação
Brasília é reconhecida como celeiro de talentos em diversos gêneros musicais, incluindo o chorinho, rap, e especialmente a viola caipira. O instrumentista e pesquisador Roberto Corrêa, um dos principais nomes da viola no país, detalhou ao Correio sua trajetória e o panorama do instrumento. Com novo disco previsto para fevereiro, Corrêa afirmou que “a cultura é um sistema vivo, que se preserva enquanto se transforma”, celebrando o aumento de cursos de viola em universidades e escolas, além do interesse renovado de luthiers e músicos.
Para Corrêa, a viola caipira vive expansão, inclusive nos centros urbanos, com orquestras e escolas dedicadas ao instrumento. Ressalta que esse movimento abrange tanto a música tradicional quanto a popular e erudita, estendendo-se às outras violas brasileiras, como a de cocho, machete baiana, repentista, caiçara e buriti.
Segundo o músico, a substituição da viola por guitarra e sons eletrônicos entre duplas sertanejas reflete transformações no mercado musical, influenciado por gravadoras, produtores, tendências e referências do cenário internacional. “A cena cultural da música de viola está viva no trabalho de músicos e artistas talentosos que se voltam para nossas tradições”, destacou Corrêa.
Corrêa relembrou que sua ligação com a viola começou na infância, assistindo a grupos de catira em Minas Gerais, mas foi em Brasília, em 1977, que passou a tocar o instrumento. Ele celebrou reconhecimentos como o título de Cidadão Honorário de Brasília, em 2007, e a Ordem do Mérito Cultural, em 2008.
Ao projetar 2026, Roberto Corrêa anunciou o disco “Viola Nova”, em parceria com o grupo Música Antiga da UFF, que propõe o diálogo entre tradições musicais europeias e as raízes brasileiras. Para ele, políticas públicas voltadas à memória e patrimônio cultural são essenciais para manter vivas as referências da cultura caipira no país.







