Da redação
O Distrito Federal lidera o ranking nacional de riqueza com um PIB per capita de R$ 129,8 mil, mais do que o dobro da média brasileira, segundo dados divulgados em 2024. Apesar disso, a região apresenta altos índices de desigualdade social e enfrenta desafios estruturais relacionados à pobreza e à segregação socioespacial.
Estudos realizados pela Universidade de Brasília (UnB) e pela OCDE destacam que Brasília está entre as cidades com maior segregação entre áreas ricas e pobres, superando, em alguns aspectos, cidades marcadas pelo apartheid, como Joanesburgo. O Lago Sul tem renda média de R$ 12 mil, enquanto Sol Nascente e Estrutural registram R$ 684 e R$ 504, respectivamente.
A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) aponta ainda que 35,1% da população economicamente ativa do DF recebe até um salário mínimo mensal. Além disso, dados revelam disparidades de gênero e raça: mulheres ganham, em média, 26% menos que homens, e a população negra recebe menos da metade do salário dos brancos.
O agravamento dessa desigualdade gerou propostas para a criação de um salário mínimo distrital e a adoção da Tarifa Zero no transporte público, conforme sugerido por ex-dirigentes sindicais locais. Atualmente, o DF é o único entre os estados mais ricos sem um salário mínimo próprio — diferencial já implementado por Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
Experiências desses estados demonstram que a elevação dos salários mínimos fortaleceu o consumo das famílias e impulsionou o comércio, impactando positivamente o crescimento econômico. No caso do transporte público, estudo da UnB indica viabilidade financeira da Tarifa Zero, destacando que ela libertaria recursos dos mais pobres para áreas essenciais como alimentação e saúde.
Segundo levantamento de 2025, cidades que adotaram a Tarifa Zero observaram aumento nas vendas do comércio, maior oferta de emprego e redução das desigualdades. No Distrito Federal, 34,1% dos moradores dependem do transporte público e gastam em média R$ 260 mensais em passagens, valor que, se liberado, ampliaria o acesso a direitos e serviços.





