Da redação
O Colegiado Superior da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo decide, na próxima terça-feira (27), se aumenta o número de vagas do curso de medicina, de 180 para 234. A proposta é alvo de protestos de estudantes, que alegam falta de transparência no processo e risco de queda na qualidade do ensino. Segundo a faculdade, a instituição atende “todas as condições legais e regulatórias, com indicadores objetivos de excelência nacional”, citando conceito máximo no Enade e Enamed, além de nota 5 no Índice Geral de Cursos e recredenciamento pelo MEC.
O Ministério da Educação confirmou à Folha de S.Paulo que foram cumpridos todos os critérios para autorização do aumento de vagas, e que a portaria que regula o tema tem “critérios rigorosos para resguardar a qualidade do ensino médico”. O pedido de acréscimo das 54 vagas foi encaminhado ao MEC em outubro de 2023 pelo reitor Carlos Alberto Herrerias de Campos, dez meses após a instituição afirmar que não ampliaria o número de alunos até 2027. A Santa Casa não comentou a mudança de posição.
A votação ocorre em meio à polêmica saída da ex-diretora do curso, Giselle Burlamaqui Klatau, um mês antes da decisão. A faculdade alega decisão pessoal, mas estudantes e professores contestam. Em nota de 23 de dezembro, docentes afirmam não compreender o afastamento sem transição adequada. O centro acadêmico, por sua vez, classifica a saída como “destituição abrupta”. Giselle não respondeu ao contato da reportagem.
Estudantes afirmam que o aumento de vagas comprometeria o ensino caso não haja ampliação de estrutura. “Vai haver mais professores? Eles serão mais bem pagos? Não foi apresentado um plano”, questiona Júlia Larissa de Araújo Sousa, presidente do centro acadêmico. Ela alerta também para possíveis prejuízos aos pacientes do hospital da Santa Casa, responsáveis pela prática dos internos.
A entidade estudantil denuncia a “interferência” da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Santa Casa, sobre competências acadêmicas, inclusive na indicação do novo diretor, Tercio de Campos. O novo diretor confirmou à Folha ter sido convidado e afirmou que as questões do curso estão sob análise dos órgãos competentes da instituição.





