Da redação
O Senado, sob liderança de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aprovou nesta semana propostas legislativas que, segundo estimativas, podem gerar um déficit superior a R$ 300 bilhões nas contas públicas. Entre os projetos, a renegociação de dívidas rurais pode causar impacto de até R$ 170 bilhões, enquanto outro texto cria aposentadoria especial para agentes de saúde.
O projeto da aposentadoria diferenciada, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, implica custo fiscal estimado em R$ 99 bilhões. As votações ocorreram mesmo após o ministro Dario Durigan, da Fazenda, solicitar a Alcolumbre que as propostas não fossem analisadas. O ministro do STF Gilmar Mendes, por meio de redes sociais, alertou para a possível inconstitucionalidade de medidas que não apresentem fonte de receita.
Ainda nesta semana, reportagem afirmou que Daniel Vorcaro, em proposta de delação premiada, disse ter transferido US$ 30 milhões a Alcolumbre em conta no exterior, em decorrência de interesses do banco Master no Senado. O senador nega as acusações e declara que processará os responsáveis pelas informações.
Apesar de não comprovada, a denúncia surge em momento delicado, com Alcolumbre em confronto com o governo após a aprovação das medidas de impacto fiscal. Também pesa sobre o senador a suspeita de favorecimento ao banqueiro ao adiar a instalação da CPI do Master, fato que, segundo interlocutores, fragilizou sua posição política.
Desde a saída do aliado Rodrigo Pacheco do páreo para o STF, Alcolumbre tem rejeitado indicações do governo, como a de Jorge Messias ao Supremo, além da condução recente da “pauta-bomba”. Nos bastidores, avaliam que sua atuação visa proteção política diante das denúncias referentes ao banco Master.
Na esfera eleitoral, a pesquisa Genial/Quaest apontou que Flávio Bolsonaro perdeu três pontos no segundo turno após divulgação de áudio em que pediu dinheiro a Vorcaro, o que afetou seu desempenho frente a Lula. Também foi suspenso pelo TSE o julgamento sobre a divulgação da pesquisa Atlas/Intel Bloomberg que indicava queda de Flávio, por pedido da ministra Estela Aranha.





