Da redação
A antecipação do debate eleitoral para 2026 está reduzindo o espaço para discutir pautas estruturantes no Congresso Nacional. A análise é do cientista político Arthur Leandro, da UFPE, e de Hely Ferreira. Eles apontam que a disputa presidencial deve impactar diretamente a formação das bancadas, com o Senado assumindo papel central no próximo pleito.
Arthur Leandro explica que o Senado é influenciado pela eleição presidencial por dois motivos: “Primeiro, porque a disputa majoritária estadual é muitas vezes organizada em torno das candidaturas nacionais, com os senadores entrando no ‘palanque’ presidencial”. Além disso, afirmou que “o voto para o Senado tende a acompanhar o candidato a presidente, especialmente quando há forte identificação ideológica”.
Hely Ferreira destaca que a liderança do PL no Senado pode tornar os embates mais frequentes. “Com certeza o PL assumindo a liderança no Senado, se poderá assistir com mais frequência embates bastante acirrados na Casa”, avaliou. Para ele, tanto no Senado quanto na Câmara, a proximidade de 2026 amplia a disputa, alterando a dinâmica habitual de maior proximidade entre o Senado e o Executivo.
Os especialistas também observam que a antecipação do debate eleitoral transforma o Congresso em “palco de campanha”, travando a agenda a partir do segundo trimestre. “O que avança são iniciativas com alto apelo simbólico, baixo custo político ou que possam ser instrumentalizadas eleitoralmente”, disse Leandro.
Na Câmara, a fragmentação persiste apesar da liderança do PL. Segundo Leandro, “não há maioria programática ou ideológica consistente”, predominando blocos temáticos e negociações pontuais. Ferreira, por sua vez, questiona a centralidade do debate ideológico e vê predominância de disputas personalistas. Ambos destacam que a atual polarização não fortalece a democracia.





