Início Política STF determina bloqueio do registro de avião de Ciro Nogueira pela Anac

STF determina bloqueio do registro de avião de Ciro Nogueira pela Anac

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Da redação

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) bloqueou judicialmente um avião pertencente ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira. A medida integra as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A investigação coordenada pela Polícia Federal aponta indícios de que Ciro Nogueira teria recebido vantagens para supostamente favorecer interesses do empresário no Senado. O bloqueio judicial atinge uma aeronave Beech Aircraft, modelo B200, de série BB-1266 e matrícula PT-WSX, avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões, registrada em nome do senador e de sua ex-esposa.

De acordo com o registro da Anac, a ordem determina o sequestro e a indisponibilidade do avião, impedindo sua transferência, venda ou negociação até nova decisão judicial. O Estadão informou que buscou contato com a assessoria do senador, mas não obteve resposta oficial sobre o bloqueio.

Ciro Nogueira, integrante do Centrão e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, é o primeiro congressista oficialmente investigado nas apurações sobre alegadas fraudes no Banco Master. Em maio, a PF realizou buscas e apreensões relacionadas à mesma operação. Foram encontrados, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, diálogos com Ciro Nogueira e ordens para transferências financeiras a uma pessoa identificada como “Ciro”.

Segundo a investigação, Nogueira encaminhou ao Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), supostamente elaborada conforme interesses do Banco Master, relatados em mensagens extraídas do telefone de Vorcaro. A proposta buscava elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, mas foi rejeitada pelo Legislativo.

Em outra frente, a PF identificou pagamento de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa da família do senador, em operação relacionada à venda de terreno, conforme ele próprio confirmou. O grupo Refit, sob controle de Ricardo Magro, é investigado por suposta sonegação fiscal e manutenção de dívidas superiores a R$ 26 bilhões, segundo a Receita Federal.