Da redação
O tribunal de Ashkelon, em Israel, determinou neste domingo (3) a prorrogação da detenção do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek por mais dois dias. Ambos pertencem a uma flotilha interceptada ao tentar chegar à Faixa de Gaza, acusados de vínculos com organização sancionada pelos Estados Unidos.
A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, partiu de portos na França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio a Gaza e entregar suprimentos ao território palestino. Forças israelenses interceptaram a frota em águas internacionais, próximas à costa da Grécia, na quinta-feira (1°).
Segundo o governo israelense, as autoridades detiveram 175 ativistas. Somente Ávila e Abu Keshek foram transferidos para Israel para interrogatório. Eles compareceram ao tribunal acompanhados por advogados da organização de defesa dos direitos humanos Adalah, que informou a prorrogação da detenção por decisão judicial.
A organização Adalah relatou que Thiago Ávila afirmou ter sido submetido a “brutalidade extrema” durante a abordagem. O brasileiro relatou aos advogados ter sido “arrastado de bruços e agredido tão brutalmente que perdeu os sentidos duas vezes”, ficando “isolado e com os olhos vendados”. Abu Keshek também relatou tratamento semelhante.
Os Ministérios das Relações Exteriores de Israel e dos Estados Unidos acusam ambos de ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), sancionada pelo Departamento do Tesouro americano por supostamente atuar em nome do grupo Hamas. O governo espanhol rejeitou as acusações atribuídas a Abu Keshek e pediu “libertação imediata” dos detidos.
Dezenas de ativistas detidos durante a ação já desembarcaram na ilha de Creta. Em 2025, a primeira viagem da Flotilha Global Sumud reuniu centenas de participantes, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg e Thiago Ávila, que na ocasião também foram detidos no mar, levados a Israel e posteriormente expulsos.






