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Trump busca se promover com conquistas da missão Artemis II, apesar de reduzir orçamento da Nasa


Da redação

As viagens espaciais nos Estados Unidos funcionam como instrumento de união nacional, proporcionando benefícios políticos aos presidentes, mesmo àqueles que pouco contribuíram para suas conquistas. Enquanto o mundo acompanha a bem-sucedida missão Artemis II, o presidente Donald Trump tenta se associar ao feito, embora tenha proposto um corte de 23% no orçamento da Nasa. Caso a proposta seja aprovada, o orçamento anual da agência deve cair para US$ 18 bilhões em 2027, o menor valor desde 1961.

O telefonema de Trump aos astronautas a bordo da Orion foi transmitido ao vivo poucos dias após a divulgação do novo orçamento. Durante a conversa, o presidente lembrou que já cogitou fechar a agência e alegou: “Nós gastamos o que tínhamos que gastar”. A formação da tripulação da Artemis II, composta pela primeira vez por uma mulher, um negro e um canadense, contrasta com o programa Apollo, cujo perfil era exclusivamente de homens brancos americanos.

Especialistas apontam que Trump só conseguiu viabilizar Artemis II graças a um conjunto de esforços iniciado ainda no governo Bush, passado pelos cortes do governo Obama e com execução técnica recente sob administração Biden. De acordo com Casey Dreier, da The Planetary Society, Trump pode reivindicar parte do crédito político, mas a condução do projeto foi compartilhada.

Apesar do avanço do Artemis II, o corte proposto por Trump pode afetar principalmente áreas científicas da Nasa e lançar dúvidas sobre o futuro do programa. A agência depende do desenvolvimento de módulos de pouso pela SpaceX e Blue Origin para uma nova aterrissagem lunar, programada, com adiamentos, para 2029. O investimento anual nos contratos, de US$ 2 bilhões para cada empresa, não se compara aos US$ 30 bilhões gastos no Apollo.

O clima entre Trump e a comunidade científica é tenso, agravado por cortes ideológicos e demissões em setores considerados supérfluos. Enquanto reduz os recursos da ciência, o presidente propõe aumento de 36% no orçamento militar para sustentar ações no Irã. O Union of Concerned Scientists afirma que os cortes na Nasa visam liberar recursos para gastos com defesa e armamentos, não para evitar desperdício ou fraudes.