Da redação
A possível reintegração da Venezuela ao Mercosul vem sendo discutida por membros do bloco. Pelo menos dois países defendem que, após a prisão de Nikolas Maduro nos Estados Unidos e o reconhecimento de Delcy Rodriguez pelo Brasil e Paraguai, a suspensão vigente desde 2016 seja reavaliada. As tratativas ocorrem discretamente, sem medidas oficiais até o momento.
Segundo fontes diplomáticas, apenas conversas de bastidores avançam entre lideranças. Um eventual convite ao governo venezuelano para participar da próxima cúpula do Mercosul, marcada para 30 de julho em Assunção, depende do presidente paraguaio, Santiago Peña Palacios, já que o Paraguai detém a presidência rotativa do bloco no período.
Na última reunião realizada em Campo Grande (MS) durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias, em 22 de março, Palacios abordou a questão diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula concordou com a possibilidade de retorno da Venezuela ao grupo, conforme apurado.
Fontes relataram ainda que o presidente do Paraguai, aliado dos Estados Unidos, buscou previamente apoio internacional para iniciar conversas sobre a reintegração venezuelana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria enviado mensagem a Palacios recomendando a abertura dessas discussões, de acordo com diplomatas ouvidos.
Para que a Venezuela volte a ser membro pleno do Mercosul, é necessário obter a anuência de todos os países fundadores: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. O processo, portanto, exige consenso do bloco e não avançará sem esse entendimento entre todos os integrantes.
Conforme membros do Itamaraty, a Argentina se mantém resistente à volta da Venezuela. Um diplomata brasileiro envolvido nas negociações afirmou: “A Argentina não quer essa volta e tentará segurar o quanto puder”, evidenciando o impasse interno para uma eventual decisão coletiva.






