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Trump quer controle das eleições locais em meio a perdas de republicanos e terror do ICE


Da redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs nacionalizar as eleições, transferindo o controle dos estados para o governo federal. A medida, inédita no país, é vista por especialistas como um sinal de erosão da democracia americana. “A ameaça de Trump é preocupante e assustadora”, afirmou Thomas Whalen, professor de história moderna da Universidade de Boston. Trump disse que pretende assumir o comando das eleições de meio de mandato em pelo menos 15 estados, alegando suspeitas de fraude, mas não apresentou provas ou detalhou quais seriam os estados.

A Casa Branca minimizou a proposta, afirmando que Trump busca garantir eleições “justas” e impedir votos de não cidadãos. No entanto, a porta-voz Karoline Leavitt usou afirmações falsas sobre o direito de voto para não cidadãos na Califórnia e Nova York. Whalen avalia que a confusão entre as declarações de Trump e a tentativa de moderação do gabinete faz parte de uma estratégia política de criar distorções e dominar a atenção pública.

A movimentação ocorre em meio a queda de popularidade do governo e derrotas republicanas em estados tradicionalmente competitivos. A aprovação de Trump caiu para 41%, segundo o New York Times, pressionada especialmente pela condução da política migratória e do cenário econômico. Recentemente, Minnesota e Texas registraram vitórias democratas em eleições locais, incluindo Taylor Rehmet, que derrotou uma candidata apoiada por Trump no Texas, reduto republicano.

Além disso, o governo enfrenta críticas após operações violentas do ICE (agência de imigração) e escândalos, como a divulgação de um vídeo racista envolvendo Barack e Michelle Obama. Em Minnesota, conflitos decorrentes de ações do ICE resultaram na demissão de líderes e retirada de 700 agentes, mas as medidas não melhoraram a imagem presidencial.

O debate sobre nacionalização das eleições é alimentado por alegações infundadas de fraude. Robert Shapiro, cientista político da Universidade Columbia, afirmou que estudos identificaram apenas “dezenas de casos” de não cidadãos votando, número considerado irrelevante para qualquer impacto eleitoral. “Não há como nem saber em quem essas pessoas votaram. Elas poderiam inclusive ter votado em Trump”, disse.