Da redação
Dez anos após o impeachment de Dilma Rousseff, o PT mantém o discurso de que a ex-presidente foi vítima de um golpe político, não econômico. Dilma, única mulher a presidir o país, foi afastada em 2016 por supostas pedaladas fiscais. Aliados e adversários a descrevem como centralizadora, perfil que, somado à demissão de quadros políticos no primeiro mandato, teria isolado Dilma do Congresso, segundo petistas.
A votação na Câmara que abriu caminho para o impeachment completa dez anos nesta sexta-feira (17). Para o ministro José Guimarães (PT-CE), Dilma foi impichada por suas qualidades e não por erros: “Não cedia às pressões”, afirmou. Ele e o ex-ministro José Eduardo Cardozo defendem que não houve crime e associam o impeachment ao clima golpista que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. O presidente Lula também relacionou o episódio à ascensão do bolsonarismo.
À época, Dilma enfrentava a resistência do PMDB, do então vice Michel Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A Operação Lava Jato e a crise econômica, agravada pela queda das commodities e inflação, abalaram o governo. Em março de 2016, ato pelo impeachment reuniu 500 mil pessoas na avenida Paulista, segundo o Datafolha.
O pedido de cassação apontou atrasos em repasses a bancos públicos e abertura de créditos sem aval do Congresso. Cardozo argumenta que não havia irregularidade. Humberto Costa (PT-PE) diz que as pedaladas foram um pretexto político usado pelas elites para retirar o PT do poder. Cunha acolheu o pedido em dezembro de 2015, no dia em que petistas votaram contra ele na Câmara.
A abertura do processo foi aprovada por 367 votos a 137. Dilma foi afastada em maio e cassada pelo Senado em agosto de 2016, por 61 votos a 20. A manutenção de seus direitos políticos e o arquivamento das pedaladas pelo TRF-1 em 2023 reforçaram, segundo petistas, que o impeachment teve motivação política.






