Da redação
Pelo menos 330 crianças foram mortas ou feridas no contexto do conflito armado no Sudão durante o primeiro semestre de 2026, segundo anúncio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Desde a intensificação dos confrontos no final de maio, na região de El Obeid, capital do estado de Cordofão do Norte, ao menos 23 crianças morreram e 25 ficaram feridas, de acordo com a agência.
O Unicef destaca que a crise prolongada no Sudão atinge principalmente crianças, que suportam o maior impacto após mais de três anos de disputa entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar. Segundo a agência, tanto SAF quanto RSF são responsabilizadas por ataques que incluem violência, assédio, abusos sexuais e ações contra infraestruturas civis, aumentando o risco para menores.
O episódio mais recente citado pelo Unicef ocorreu em Burbur, ao sul de El Obeid, na sexta-feira, onde pelo menos dois meninos e duas meninas de oito a 16 anos foram mortos. Com isso, o número de crianças mortas somente em julho subiu para oito. O agravamento do conflito intensifica a insegurança alimentar, a desnutrição infantil e o deslocamento forçado.
A Organização das Nações Unidas estima que em maio aproximadamente 41% da população sudanesa, cerca de 20 milhões de pessoas, enfrentava níveis elevados de insegurança alimentar. O Unicef alerta que, em 2026, 825 mil crianças com menos de cinco anos podem sofrer de desnutrição aguda grave. O representante da agência, Sheldon Yett, enfatiza a necessidade de proteger a segurança e os direitos das crianças, bem como a integridade de escolas, unidades de saúde e sistemas de abastecimento de água.





