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USP desenvolve IA que identifica seis espécies de golfinhos pelo som dos assobios


Da redação

Pesquisadores do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo utilizam inteligência artificial para identificar espécies de golfinhos a partir de vocalizações gravadas na costa de São Paulo, no Arquipélago de Fernando de Noronha e no Estuário de Cananéia. O algoritmo reconhece seis espécies, com precisão geral de 55%.

O estudo analisou cerca de 1,8 mil vocalizações de cetáceos, incluindo golfinho-comum, orca, golfinho-pintado-do-Atlântico, golfinho-nariz-de-garrafa, golfinho-rotador e boto-cinza. Segundo o biólogo Diogo D. Barcellos, diferenças nos padrões de sons podem ser relacionadas a “sotaques” regionais, devido a fatores ambientais e humanos.

Para captar os sons, os pesquisadores empregaram hidrofones, registrando assobios, cliques e outras vocalizações. Esses sons foram transformados em informações numéricas e usados para treinar um sistema baseado no método Random Forest. A maior taxa de acerto ocorreu na identificação do golfinho-comum, com 73,6% de precisão, seguida pelo boto-cinza (65%).

De acordo com o professor Marcos C. de O. Santos, responsável pela biblioteca acústica de cetáceos do litoral paulista, a bioacústica pode permitir monitoramento contínuo, independente de embarcações ou condições de visibilidade. A proposta é que, com ampliação dos registros nos próximos anos, o sistema contribua para pesquisas sobre ecologia, conservação e políticas públicas voltadas à proteção da biodiversidade marinha.