Da redação
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto desenvolvem, desde 2024, uma técnica inovadora com nanotecnologia para tratar doenças de pele como psoríase e vitiligo. O objetivo é oferecer alternativas terapêuticas mais precisas e com menos efeitos colaterais para pacientes, segundo informações divulgadas pela equipe envolvida na pesquisa.
O trabalho é realizado no laboratório NanoGeneSkin, ligado à USP, com apoio do CNPq e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica. A principal inovação consiste no uso de nanopartículas para transportar moléculas de RNA terapêutico diretamente até as células da pele, atuando em nível genético.
Segundo os pesquisadores, esse RNA terapêutico age como um “bloqueador genético”, bloqueando a expressão de genes envolvidos nos processos inflamatórios. No caso da psoríase, busca-se silenciar os genes responsáveis pela produção excessiva de citocinas inflamatórias. Para o vitiligo, a meta é interromper genes que levam à destruição de melanócitos, responsáveis pela pigmentação.
A principal dificuldade enfrentada é a fragilidade das moléculas de RNA, que são facilmente degradadas pelo organismo, aliada à barreira natural da pele contra substâncias externas. Para superar essas limitações, a nanotecnologia é empregada para encapsular o material genético, garantindo proteção e facilitando a entrada nos alvos celulares.
De acordo com a equipe, os testes iniciais ocorreram em células cultivadas e modelos animais com lesões similares às doenças. Os resultados apontam para o potencial da técnica em reduzir inflamações e restaurar funções celulares, viabilizando terapias menos invasivas. Empresas do setor farmacêutico já demonstram interesse nesse avanço.
Além de psoríase e vitiligo, os cientistas estudam aplicações da tecnologia em outras áreas, como vacinas e terapias contra câncer. O grupo de pesquisa trabalha atualmente na transição dos experimentos de laboratório para os ensaios clínicos e etapas regulatórias necessárias para aprovação em pacientes.





