Da redação
Conversas identificadas pela Polícia Federal no celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e funcionária da Câmara dos Deputados, permitiram que o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino chegasse aos principais alvos das investigações sobre a destinação de emendas parlamentares. Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, são suspeitos de atuarem de modo irregular nesses repasses.
Segundo a investigação, Valdemar e Cunha, mesmo sem mandatos, determinariam a aplicação das emendas conforme interesses próprios. Ambos tiveram bens bloqueados por decisão de Dino: até R$ 119 milhões de Valdemar e até R$ 6,15 milhões de Cunha. A decisão aponta indícios de que recursos do orçamento da União teriam beneficiado os dois.
Os dois ex-deputados sustentam atualmente apoio conjunto à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Valdemar renunciou ao mandato em 2013, antes de um processo de cassação relacionado ao escândalo do mensalão. Cunha foi cassado em setembro de 2016 após ser acusado de mentir à CPI da Petrobras sobre contas no exterior.
O inquérito destaca ainda diálogos em que Cunha reclama de prefeitos de Minas Gerais interessados em registros formais para distribuição de verbas. Dino pediu explicações ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a manutenção de Tuca no cargo após operação da Polícia Federal, vinculando a gestora à liderança do PP, conhecida como “QG das emendas”.




