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Violência e ações policiais causam 1,6 mil mortes no Haiti em três meses

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Da redação

O Haiti enfrenta uma onda de instabilidade política e violência urbana, com mais de mil mortes e 745 pessoas feridas apenas no primeiro trimestre de 2025. O cenário foi relatado nesta semana pelo Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (Binuh), que chamou atenção para o agravamento da crise no país caribenho.

Segundo o representante da ONU no Haiti, Carlos Ruiz Massieu, apesar de alguns avanços na segurança em áreas da capital Porto Príncipe, a sensação de insegurança persiste entre a população. De acordo com Massieu, a violência segue em expansão, especialmente nas regiões centrais do território haitiano.

O relatório da Binuh indica que, embora as forças de segurança tenham conseguido conter a expansão territorial das gangues em regiões de Porto Príncipe, assassinatos, sequestros, extorsões e destruição de propriedades continuam sendo registrados em áreas dominadas por grupos criminosos. Nessas regiões, permanecem frequentes violações de direitos humanos.

Na região de Artibonite, no centro do Haiti, a violência atingiu novos patamares ao longo de março, com ataques coordenados direcionados principalmente a guardas comunitários. Conforme o comunicado, 27% dos mortos e feridos registrados nos primeiros meses de 2025 resultaram de ações de gangues, que também são citadas em casos de violência sexual, especialmente contra mulheres e adolescentes entre 12 e 17 anos.

A Binuh destaca que a violência e exploração sexual são utilizadas como formas de controle sobre moradores em áreas dominadas por gangues. As operações das forças de segurança, realizadas com apoio de empresas militares privadas e drones, foram responsáveis por mais de 60% das vítimas notificadas, segundo relatório da ONU.

Ainda conforme o organismo internacional, há denúncias de execuções sumárias envolvendo agentes da polícia haitiana. Diante da situação, a ONU solicitou que autoridades nacionais e a comunidade internacional intensifiquem ações contra o tráfico de armas, acelerem reformas judiciais e garantam o respeito aos direitos humanos nas operações de segurança.