Por Alex Blau Blau
Recursos foram direcionados para entidade vinculada a projetos culturais e acabaram sob análise de órgão de controle após questionamentos sobre rastreabilidade e aplicação dos valores
A ex deputada federal Carla Zambelli destinou dois milhões de reais por meio de emenda parlamentar à Academia Nacional de Cultura, entidade ligada à produtora responsável por um filme sobre o ex presidente Jair Bolsonaro. O recurso acabou sendo alvo de auditoria do Tribunal de Contas da União após questionamentos sobre o destino e a forma de movimentação da verba pública.
Segundo as informações apuradas, o valor seria destinado ao financiamento de uma série de caráter cultural que abordaria personagens históricos do país sob uma abordagem específica. O projeto previa a produção de episódios documentais e também a realização de atividades artísticas complementares, mas parte das etapas não chegou a ser detalhada no momento da liberação dos recursos.
A transferência do montante ocorreu para o caixa do governo do estado de São Paulo antes de chegar à entidade responsável pelo projeto. Em seguida, o valor acabou sendo incorporado ao Tesouro estadual, o que dificultou a separação inicial dos recursos dentro da contabilidade pública. Após análise técnica, houve movimentação para correção do fluxo financeiro, mas a liberação final dependeu da apresentação de documentos exigidos pela administração pública.
A situação passou a ser acompanhada também pelo Supremo Tribunal Federal, dentro de um conjunto de investigações que analisam possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares para projetos culturais ligados a produções audiovisuais.
O caso envolve ainda outras figuras políticas que destinaram recursos para iniciativas relacionadas ao mesmo núcleo de produção. Entre elas estão o deputado federal Mario Frias, a deputada federal Bia Kicis e o ex deputado federal Alexandre Ramagem, além de Marcon Pollon. Todos tiveram suas destinações incluídas em apurações sobre a aplicação dos recursos.
As investigações também citam a participação de estruturas privadas e financeiras associadas ao setor responsável pela produção, incluindo o Banco Master, que aparece em movimentações relacionadas ao financiamento do projeto.
A entidade beneficiária do recurso, a Academia Nacional de Cultura, ainda não recebeu integralmente os valores, já que parte da documentação exigida para a liberação definitiva segue em análise por órgãos competentes. O governo do estado de São Paulo informou que os recursos permanecem sob controle administrativo até a regularização das pendências.
As apurações seguem em andamento e buscam esclarecer a rastreabilidade dos valores, a execução dos projetos culturais financiados e a relação entre as emendas parlamentares e as produções audiovisuais em investigação.





